quinta-feira, 21 de julho de 2011

"Depois de você os outros são os outros e só..."


Querido John,

Aqui estou eu escrevendo-lhe mais uma carta, já faz 1 mês que você foi embora pra longe.Eu estou tentando tocar a vida aqui, tenho tentado conhecer outras pessoas, tentado sair do cásulo e do isolamento. Mas, é difícil por mais que eu tente conhecer outros caras,me interessar eu sempre acabo comparando com o que a gente teve, com o que a gente viveu... Foi tudo tão mágico, tão avassalador.
Sei que o melhor que eu tenho a fazer é te deixar ir, é me despedir de ti,mas quem disse que eu sou lógica, que eu consigo ter as atitudes e pensamentos coerentes. Eu já tentei mil vezes te esquecer,mas parece que cada um que chega no meu caminho eu fico procurando algo que me lembre você. Eu sei isso é loucura,mas eu confesso que não sei o que fazer. Li um texto esses dias que fala de Clarice Pinkola ela diz que a vida é um ciclo morte-vida-morte, que precisamos matar certos sentimentos, coisas que sentimos e que não servem mais e que só ocupam espaço.
Talvez fosse a hora de eu fazer isso com tudo o que sinto por ti,mas isso é tão difícil,mas eu vou tentar, preciso tentar...
Porque sei que enquanto eu não te deixar ir definitivamente, não irei conseguir me relacionar com alguém verdadeiramente. Sei que preciso seguir em frente, te deixar lá no passado,mas é tão difícil. Ainda mais quando o amor não acaba o nosso problema é meramente geográfico, é quer dizer não é só uma questão geográfica, vai um pouco além... Já deve estar fazendo 1 ano quando tu disse para o diretor da peça que tu tava trabalhando que nós éramos "companheiros de vida", lembro que isso me tocou profundamente, é bem isso o que a gente é. Não somos namorados,somos mais que amigos, sim nós somos ou fomos companheiros de vida. Não sei, não sei mais nada. Não sei o que o futuro nos reserva o que me parece é que eu nunca saberei qual será o teu próximo destino, tavlez o Oiapoque, talvez o Chui, talvez outro completamente diferente do outro lado do mundo... Talvez seja justamente isso o que me fascine essa incerteza louca, essa dúvida, contigo não há certezas.Cada dia é uma nova aventura, um novo começo, tudo sempre muito intenso, pois amanhã talvez seja hora de dizer tchau...
A propósito eu não fui te encontrar lá em Poa porque eu não tive coragem de me despedir, várias coisas tinham acontecido, eu estava super sensível e eu tinha a mais absoluta certeza que eu ia chorar e chorar muito, e não queria que a nossa última lembrança fosse assim talvez tenha sido um ato de covardia meu ou talvez de coragem não sei, não sei mesmo... Mas, confesso eu não tive coragem de me despedir é duro demais, dizer Adeus. Se estando a 320km a gente já nunca sabia quando seria o próximo encontro,imagina quando a distância é de quase 2000km?
Desculpe o desabafo querido John,mas eu precisava disso.
Beijos no seu coração,
da sua companheira de vida...
Escrito por Sibele Costa em 10/07/2011

7 comentários:

Célia Gil disse...

Uma carta sentida e linda! Bjs

ONG ALERTA disse...

Querida tudo na vida tem um tempo...um aprendizado nada acontece em váo...
Beijo Lisette.

Andressa Tavares disse...

Texto lindo da Sibis
amei!

Anônimo disse...

Adorei, tenho um texto que diz basicamente a mesma coisa, salvo nos rascunhos do meu blog e até hoje não tive coragem de concluir e postar, talvez por achar que assim eu estaria me despedindo de um sentimento que eu alimento com cuidado a tantos anos.. :/

André Miranda disse...

Olá,

Adorei o texto, é preciso morrer para podermos renascer é preciso fechar o ciclo.Estou te seguindo.Visite meu blog se gostar me siga também:
http://escritosimorais.blogspot

beijo.

Luna Sanchez disse...

O primeiro parágrafo já me levou à lona...Ai, ai.

Beijo, querida.

Tayane Sanschrí disse...

Lindo!!!
*_*